Memória Digital: Martinho Bruning
Martinho Bruning se definia como poeta que defendia os sentidos. Atento, observador da natureza e da condição humana, o poeta, estudioso e admirador da filosofia taoísta, brinda os seus leitores com poemas serenos de surpreendentes imagens líricas que desvelam o universo natural e a condição do ser humano. Segundo o professor universitário da UFSC e crítico literário, Lauro Junkes, “o poema de Bruning revela emoção e sentimento espontâneo”. Transparece constante substrato filosófico, que induz ao pensar, ao meditar. E pelo que consegue condensar em micropoemas e haikais, revela-se um poeta amadurecido, capaz de sintetizar em poucas palavras o que muitos só expressariam em composições mais longas. E, assim, no poema intitulado “Leis da Natureza”, do livro “Novos Micropoemas Verso e Reverso”, descreve:
Quem disse que a Natureza não dá saltos
Podia ter acrescentado
Que também não recua,
No seu mudar constante.
Tal
A natureza das coisas
Que passam
Que ficam
(Fonte: Secretaria Municipal de Cultura de Blumenau / Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / Fundo Privado: Família Bruning – Hai-kais de Martinho Bruning – Jornal A Notícia – 18/10/1987)
