Logo

O que você procura?

EU PRECISO...

Selecione uma categoria. O que você precisa fazer hoje?

Situação
da Cidade:
Normalidade
Precipitação
22º
15º
1,37m
Nível do Rio
Itajaí-Açu
Atualização:
25/08/26 19h
+ Mais informações
-A A A+
Mapa do site Mais informações

Funcionários da Furb concluem curso de braille

Funcionários da Furb concluem curso de braille

Dez funcionários da Biblioteca Universitária da Furb concluíram a Oficina de Leitura e Escrita Braille, Tecnologia Assistiva e Orientação e Mobilidade, oferecida pelo Centro Braille da Fundação Cultural. O curso de 30 horas de duração foi coordenado pela brailista Eliani Luchini de 21 de julho a 1º de agosto. Nesse período, os participantes sentiram as dificuldades vividas diariamente pelas pessoas cegas.

Outros 35 profissionais da biblioteca da Furb participarão do programa de capacitação para atendimento aos acadêmicos cegos. Ao final do curso, receberam certificados. “Tomar conhecimento de uma nova linguagem é sempre uma boa experiência ao cérebro. Aprender a ler e escrever em Braille, para mim, foi divertido. Além disto, a experiência de caminhar com a bengala sem visualizar nada, assim como um cego, foi algo singular", comentou o aluno do curso Bruno Pellis.

Para os participantes da primeira turma, a Baixinha, como carinhosamente é chamada a brailista Eliane Luchini, é uma entusiasta do método e o domina plenamente o assunto. “As aulas foram agradáveis, com preciosas informações. Aprendemos a ler e a escrever utilizando o código Braille, conhecemos programas digitais de voz e texto, impressoras, máquinas e demais aparelhos que auxiliam o deficiente visual. Enfim, todos os recursos apresentados e utilizados possibilitaram uma reflexão sobre o dia a dia dos cegos, com percepção tanto das dificuldades quanto da possibilidade de uma vida cotidiana independente", opina Rosana Scharf.

Na opinião de Marcos Marques, o curso braille aprimora o atendimento ao deficiente visual, proporcionando conhecimento de toda a escrita braille e os sistemas computacionais de auxílio. “Além disso, atividades desenvolvidas nos colocaram no lugar do deficiente visual, mostrando outra perspectiva e fazendo sentir as dificuldades que os mesmos enfrentam no dia a dia. Estou agradecido por participar do curso e espero levar todo o conhecimento adquirido para o resto de minha vida.”

Na visão de Camila Teichrieb , aprender Braille é uma experiência única. “Ao vivenciar algumas dificuldades relacionadas à cegueira, percebi que a verdadeira deficiente é a acessibilidade. Numa caminhada, vendada, pude notar que a bengala é essencial para mobilidade”, observa. “Somente quando nos colocamos no lugar do outro é que compreendemos suas verdadeiras necessidades. Hoje contamos com diversos recursos para acesso à informação e educação de pessoas cegas, tais como reglete e punção (instrumentos para escrita Braille), impressoras (que imprimem em Braille), leitores de tela de computadores, áudio livros, livros em Braille, entre outros. Mas o custo desses materiais é, em geral, bastante alto, dificultando sua aquisição”.

Segundo Camila, o alfabeto Braille é fascinante: composto por seis pontos de preenchimento dispostos em três linhas e duas colunas, permitindo diversas combinações, para formar letras, números, sinais de pontuação, operadores matemáticos e até notas musicais. “É preciso um tato bastante desenvolvido para ler os relevos do Braille. O mais interessante é que o Braille é uma linguagem universal”, diz ela.

 

O outro lado

Na avaliação da participante Vanessa Martins Kretzschmar Mendes, o curso de braille trouxe mais que uma nova forma de interagir. “Demonstrou de forma muito efetiva como podemos nos colocar no lugar do outro e assim entender suas dificuldades, ensina que apesar de acharmos que não, é possível sim ver o mundo com muito mais que apenas os olhos, que nem tudo é imagem, são também sons, cheiros e formas. Posso dizer sem medo de errar que foram horas muito bem empregadas de estudo e dedicação, porque todos merecem, independente da sua limitação, ser bem atendidos.”

Para Daniele Rohr o curso Braille foi uma bela surpresa. “Conhecemos a escrita braille, os recursos tecnológicos existentes para a inclusão do cego e aprendemos a maneira mais adequada de atender as pessoas que têm essa deficiência. Mas o melhor do curso foi “ser” cego por alguns instantes: caminhar e assistir a um filme com os olhos vendados fez com que entendêssemos melhor as dificuldades de quem não consegue enxergar e, consequentemente, aumentasse em nós a consciência da importância da inclusão e da acessibilidade”.

O aluno Henrique Voltolini diz que a possibilidade de sentir na pele os desafios das pessoas cegas e de baixa visão apresentou-se como uma experiência edificante, tanto pessoalmente quanto para expandir seu respeito a estas pessoas, as quais fazem do ler e escrever, ir e vir um exemplo de perseverança aos demais que desistem apenas de "ver" o desafio a frente.

 

Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello