Abrigo Municipal é opção de ressocialização a moradores de rua
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em julho de 2013, mostram que o Brasil já tem mais de dois milhões de habitantes. Segundo estudos, somente os moradores de rua formam um percentual que varia de 0,6 a 1% da população brasileira, totalizando cerca de 2 milhões de pessoas vivendo nesta situação em todo o país. A cidade de São Paulo lidera a lista das de pessoas nesta situação: mais de 14 mil. Apesar de em Blumenau a situação não ser tão grave, a Prefeitura Municipal realiza ações visando, principalmente, ajudar na ressocialização destas pessoas.
Através do Abrigo Municipal de Blumenau, criado em 2000 e, desde então, mantido pela Prefeitura, as pessoas que vivem nas ruas de Blumenau têm uma nova oportunidade para se ressocializarem e, posteriormente, voltarem para o mercado de trabalho. O abrigo funciona durante 24 horas por dia e oferece moradia para até 50 pessoas, que têm direito a quatro refeições diárias, higienização e, o mais importante, carinho.
Jorge Cândido, coordenador do Amblu, explica que o local oferece conforto para que quem vive nas ruas possa repousar, mas que para ficar lá, existe série de deveres e obrigações que devem ser cumpridos. “Aqui existe uma rotina de atividades internas como lavar a louça e arrumar as camas e todos devem participar”, explica o coordenador. “Para permanecer no local, os moradores precisam deixar de ingerir bebidas alcoólicas e de utilizar drogas, para que o trabalho feito pelos nossos assistentes sociais cumpra seu papel”, reforça.
Pesquisas e programas sociais
No abrigo, que faz parte do Programa de Atenção e Proteção à População de Rua, é desenvolvido um trabalho socioeducativo. Os serviços prestados são divididos entre o atendimento na rua, o abrigamento e o Centro Dia. Cândido relata que a fase principal e também mais difícil acontece na rua. “Uma equipe faz os levantamentos das necessidades desta população, faz um perfil dos morados de rua e oferece ajuda a eles, para que possam ser encaminhados às diversas políticas públicas de Blumenau, assim como o Amblu. Entretanto, nem sempre todos aceitam”, lamenta Jorge
O coordenador relembra alguns casos em que, inicialmente, a pessoa aceita a ajuda e o tratamento, porém, depois de um tempo acaba voltando para as ruas, principalmente porque não consegue largar o vício das drogas ou das bebidas. “Mesmo com ajuda de psicólogos, temos casos em que as pessoas não aceitam e acabam voltando para as ruas em busca de saciarem os seus vícios, desistindo de ficar no abrigo”, conta Jorge. Ele ainda expõe que a maioria das pessoas que chega no local em busca de ajuda tem algum tipo de vício e que, geralmente, precisam apenas de coisas simples como a atenção e de esforço mental para conseguirem se readaptar.
Os levantamentos feitos pela equipe do abrigo no ano passado mostraram que a maioria dos moradores de rua de Blumenau não nasceram na cidade. O mesmo ocorre com quem frequenta e vive no abrigo, como é o caso de Rosivan de Souza Machado, que nasceu no Pará, mas saiu de casa em busca de trabalho e de uma vida melhor. O rapaz passou por diversos Estados do Brasil até chegar em Blumenau, por influência de um amigo que conheceu enquanto estava abrigado no Paraná. “Eu trabalhei por um tempo em diversos lugares, mas ganhava pouco. Então decidi ir embora, buscar algo melhor para mim, e meu amigo me contou que em Blumenau havia mais oportunidades”, comenta.
“Eu passei fome, morei na rua, dormi debaixo de pontes. Eu e meu amigo viemos a pé do Paraná para Blumenau e esse é o melhor abrigo pelo qual já passei”, conta Machado, que conseguiu voltar para o Pará, realizando seu maior sonho, horas após a entrevista. Ele é apenas uma das dezenas de pessoas que buscam atendimento no local mensalmente. Em muitos casos, os moradores são reincidentes, ou seja, já passaram pelo abrigo, mas por conta do vício, voltaram para as ruas, enquanto em outros, ficam por apenas um dia no Amblu e depois nunca mais aparecem.
Dentro do abrigo, os moradores participam de atividades socioeducativas que se baseiam, principalmente, no resgate dos vínculos familiares e sociais, além de serem instruídos a voltarem para o mercado de trabalho e aprenderem a lidar com seus recursos. “Quando um abrigado consegue um emprego, ele é instruído a guardar os salários e, enquanto isso, nossa equipe procura uma casa de aluguel para ele morar. Agora, com as inscrições do programa Minha Casa Minha Vida abertas em Blumenau, também estamos inscrevendo todos eles, para que possam ter a chance de se recuperarem totalmente”, diz Jorge.
Preconceito
Um dos grandes problemas ainda enfrentados pelas pessoas em condição de rua não apenas em Blumenau, mas também em todo o país, é o preconceito. Partindo do fato de que muitas dessas pessoas sequer sabem como foram parar nas ruas, o coordenador deixa claro que seja lá quem forem, todos merecem atenção e carinho. “Antes de ter preconceito, é preciso parar para pensar porque a pessoa foi parar nas ruas. Não podemos julgar ninguém pela situação em que ele está. Nem sempre quem está na rua quer estar ali”, completou o coordenador.
Estima-se que, por conta desse preconceito, os moradores de rua estão cada vez mais sujeitos a crimes. Entre janeiro e junho de 2013, por exemplo, 195 moradores de rua foram assassinados em todo o país, conforme dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Os mesmos dados mostraram ainda que menos de 20 destes casos resultaram em ações penais. Apesar do grande índice registrado no Brasil, em Blumenau, principalmente graças ao atendimento realizado pela Semudes através do Amblu, esta realidade não faz parte do cotidiano da cidade.
O Abrigo Municipal de Blumenau fica na rua Rudolf Roedel, 145, no bairro Salto Weissbach. O atendimento aos moradores de rua é feito por abordagem ou pode ser indicado pela comunidade através do telefone 3381-7777. Segundo Jorge Cândido, dezenas de pessoas já passaram pelo local e, hoje, cerca de 35 pessoas têm o Amblu como residência.
Assessora de Comunicação: Andressa Scaburri
