Memória Digital: 200 anos do Dr. Blumenau
Blumenau foi marcada por enchentes desde a fundação. No ano de 1855, a água do rio subiu até 13,3m; em 1880 foram 17,1m; em 1911 chegou a 16,9m e em 1983 alcançou 15m. Dr. Blumenau sofreu por duas vezes com as cheias na colônia, que o abalaram profundamente. “Uma das minhas casas, onde moravam meu contador e meu jardineiro e que fora construída sobre uma bela península, foi arrancada pela fúria das águas, com tudo que havia dentro, livros, instrumentos, mercadorias e outras coisas de valor material, acompanhado de muitas lembranças e objetos de recordação, que me eram caros e que são insubstituíveis. Nada pode ser salvo da casa, com exceção de algumas ferramentas pesadas e, por uma coincidência feliz, num recipiente de ferro, que continha pouco dinheiro, mas todos os meus documentos territoriais. (...) A casa situava-se no meu jardim, e este desapareceu quase totalmente, e com ele eu perdi a única forma de lazer e relaxamento à qual eu me dedicava e que me permitia, já que eu vivo de forma tão econômica quanto possível, e por vezes até de forma avarenta, para não despender os meios para a manutenção do meu negócio em gastos supérfluos. De modo geral, não sou uma pessoa sensível, mas não pude evitar que eu chorasse como uma criança ao chegar e ver a cena da devastação por toda parte”. A enchente de 1880 afetou toda a Província de Santa Catarina. O rio subiu mais de 12m, carregando com ele plantações, casas, pertences, estradas, pontes e muitos dos sonhos daqueles que ali viviam. Diversas colônias e povoados foram devastados e Blumenau foi quase por completo tomada pelas águas da chuva, isentando da catástrofe somente as duas igrejas localizadas nos pontos extremos e mais elevados. Por toda parte havia habitações em ruínas, lavouras devastadas e miséria. A casa do Dr. Blumenau foi severamente atingida, a enchente levou seu jardim e parte da moradia. Hermann e família passaram a viver na sede da colônia, onde mais tarde seria a prefeitura e hoje abriga a Secretaria Municipal de Cultura. (Fonte: Secretaria Municipal de Cultura de Blumenau / Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / Carta escrita por Dr. Blumenau em 1856)
