Memória Digital: poemas de Lindolf Bell
Nesta edição divulgaremos os versos de uma poesia publicada na 2ª edição do livro “As Annamárias”, de 1979. Suas poesias neste livro são profundamente amorosas, de uma sensualidade que passou do plano sensorial para o plano definitivo do amor. Bell está nesta obra a serviço do coração, com simplicidade o poeta se comunica com versos impregnados de amor e de leveza. Sua poesia brinca com o tempo, porque sabe que nós não somos nem donos nem vítimas do destino e do tempo. Ele integra tudo no seu poema, o tempo, o destino, o amor, a amada, a alegria de viver e a volúpia e o desalento e assim relata:
Nas largas ruas
De meu coração.
A chuva de velozes temporais
Floresce o sonho
Do dia que se vai.
Esvai-se o instante de chegar,
Olhos do tempo espreitam,
Cavalos enfeitam a crina
Com dálias do único instante.
Oh! Annamária,
Cavada desabalada,
Contra o tempo de estar na frente.
Oh! Parada brusca, busca arada,
Como se vai o que não se vai,
Como se tem o que não se tem.
(Fonte: Fundação Cultural de Blumenau / Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / Fundo Memória da Cidade-Cultura-Literatura-Poetas-Lindolf Bell – Bell, Lindolf. Bell, Lindolf, As Annamárias, 1979. 2ª edição / Considerações de Antonio Carlos Villaça / Ilustração de Elke Hering Bell)
