Arquivo Histórico vende raridades das antigas cervejarias
A Associação dos Amigos do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva colocou à venda porta-copos com as estampas de cinco antigas cervejarias da cidade. As conhecidas bolachas, famosas nas mesas das choperias, levam as marcas das indústrias Henrich Hosang, Otto Jennrich, Carl Rischbieter, Rudolph Schreep e Henrich Felldmann. Um outro adereço traz a logomarca da Capital Brasileira da Cerveja. A iniciativa é uma parceria da Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec) e Prefeitura, por intermédio da Secretaria de Turismo (Sectur) e Fundação Cultural de Blumenau.
O valor do kit desta edição limitada contendo seis bolachas é de R$ 20. Os produtos doados pela Ablutec e Sectur podem ser obtidos no próprio arquivo histórico e nos museus da Família Colonial, de Hábitos e Costumes e Mausoléu Dr. Blumenau. Alguns estabelecimentos da cidade também colocaram as bolachas à venda para ajudar o arquivo. “O dinheiro das vendas vai ajudar no pagamento de traduções de livros, pesquisas, aquisição de equipamentos de digitalização entre outras ações e benfeitorias que possam contribuir para o Arquivo Histórico”, destaca o presidente da Fundação Cultural, Rodrigo Ramos.
Logo nos primeiros tempos coloniais, revela-se em Blumenau a produção de cerveja. Considerada uma das mais importantes bebidas, a sua entrada deve-se aos alemães. Começou de forma artesanal, para alcançar uma caminhada vitoriosa. “Nos tempos coloniais conhecia-se a cerveja europeia, que era muito cara e acessível somente aos mais favorecidos. O imigrante alemão, ao fixar-se na Colônia Blumenau sentia falta da sua cerveja”, conta a diretora do Arquivo Histórico e Museológico da Fundação Cultural de Blumenau, professora Sueli Petry.
Produção artesanal
As primeiras produções artesanais de cervejas não eram boas. “Com o decorrer dos anos, inúmeras cervejarias surgiram em diversas localidades da região do Vale do Itajaí. E, o cheiro agradável de malte cozido – é um bom sinal e revelava a proximidade da cervejaria", lembra Sueli.
O primeiro cervejeiro de Blumenau foi Heinrich Hosang veio da Alemanha para Blumenau em 1858, contava na época 30 anos. Ao constatar a falta de uma cerveja para o consumo, logo pensou na oportunidade da criação de uma indústria, pois trouxera o conhecimento e a prática do velho mundo. “Inicialmente instalou uma pequena indústria (1860), nos arredores de Blumenau, que contava neste tempo com uma população de apenas com 950 moradores. A fábrica prosperou de ano para ano, foi crescendo e o consumo da bebida era a preferida no comércio local”, comenta a historiadora.
Depois do falecimento de Heinrich, em 1888, a esposa Helene Friederike Henriette Brandes, juntamente com o filho Hermann Franz Wilhelm Hosang, continuaram com o empreendimento. Anos depois, o genro Hermann Schossland, assumiu a cervejaria. O controle da fábrica permaneceu com a família até 1923, quando foi vendida para Bock, localizada em Presidente Getúlio.
Saiba mais
Outras cervejarias artesanais sugiram posteriormente:
Cervejaria de Carlos Rischbieter: era famosa e conhecida pela denominação “Rischbieter Brauerei” (1875). Estava estabelecida no sopé do morro da Bela Vista. Anos mais tarde foi adquirida por Walter Berner, de Joinville. Este empreendimento prosperou e suas instalações estavam adaptadas à eletricidade (1913). Produzia as cervejas “Bavária” (clara) e “Favorita” (escura), além da marca “Schwartzbier”. Anualmente, produzia uma proporção de 100 mil garrafas de cerveja
Cerveja Jennrich: cervejaria de pequeno porte de Otto Jennrich. O primeiro lote foi produzido em 1891. A capacidade de produção chegou a 250 garrafas por caldeirada de cerveja. O empreendimento localizava-se em Altona, hoje Bairro Itoupava Seca, onde abriu um compartimento da fábrica, mobiliado com muito capricho, à moda das tradicionais “Bierstube” da legendária Munique. Este local era decorado com jarros, canecões de barro e porcelana lavrada, os quais ostentavam figuras decorativas e legendas, ora sérias, ora brejeiras. Entre os vários nomes de cervejas produzidas nesse espaço destacavam-se as marcas “Estrela”, “Polar” e “Kulmbach”. Esta cervejaria anos depois foi adquirida dando origem à “Cervejaria Blumenauense”, organizada por Schmalz.
Cervejaria Feldmann: localizada na Vila Itoupava (1898), teve como proprietário Henrich Feldmann Sênior. Fabricava as cervejas “Victória” e “Bochbier”. A produção atendia toda região da Vila Itoupava. Anos depois assumiu o comando da firma o filho Henrich. A tradição familiar passou o comando mais tarde para o filho Claus Feldmann, que por sua vez adquiriu a fábrica de cerveja Malta e Massarandubense. Permaneceu na direção até 1959. A administração continuou com Alfred Feldmann, filho de Claus. Este muda o foco da produção optando pela fabricação de refrescos e licores Bitter (1960 a 1978). Sem condições de competir com o mercado e exigências para aquisição de novos maquinários, encerrou as suas atividades. Parte do acervo desta cervejaria está exposto no Museu da Cerveja, mas em breve retornará para o local de origem no Centro Cultural da Vila Itoupava
Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello
