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Memória Digital: último adeus

Memória Digital: último adeus

Relato publicado na Revista Blumenau em Cadernos em julho de 1960 descreve: “Hoje, os preços dos enterros andam pela “hora da morte”, um caixão custa os olhos da cara (dos que ficam, naturalmente). Acompanhamento, choro, sepultura, coveiro, tudo é arranjado a peso de ouro. Antigamente, a coisa era bem diferente: quatro sarrafos e um pedaço de chita preta davam um caixão. As velas eram de sebo e fabricadas no vizinho, que sempre tinha umas quatro de sobra para ofertar. Flores “eram mato”, pelas beiras das estradas e mesmo pelos quintais dos outros... Bastava enfiar o braço pela cerca de bambus e se apanhavam maços de sempre-vivas, de mimo-do Brasil, de crista-de-galo. Alguma velhota poderia protestar lá de dentro do rancho. Mas, sabendo que era para defunto, rezava ainda por cima um “Credo” pela alma do dito. Um galhinho de arruda e uma xícara sem asa serviam bem para a aspersão do corpo com água benta. Até mesmo as sepulturas custavam uma ninharia...”

Fonte: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/Revista Blumenau em Cadernos, julho 1960, p.128. Tomo III/Fundação Cultural de Blumenau